| Projeto África: Viagem Missionária 2006 |
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De 5 de julho a 6 de agosto de 2006 a missionária Joane Bentes dos Santos, membro da equipe de rádio dos Gideões Missionários daÚltima Hora, esteve engajada numa viagem ao continente africano, atendendo o convite da Igreja Ev. Ass. de Deus Nova Aliança, presidida pelo Pr. Eliel Gomes, com sede na África do Sul, na cidade de Johannesburg, acompanhada do Dr. Aumeri e sua esposa irmã Fátima. Todos viveram dias de desafios e grandes experiências missionárias, as quais compartilharemos com nossos leitores. “Recebi de Deus a oportunidade de conhecer uma parte desse continente. No dia 4 de julho embarcávamos no aeroporto de Guarulhos rumo à África do Sul com grandes expectativas; sabíamos somente que chegar lá era promessa de Deus, mas não imaginávamos o que viveríamos realmente. Era um dia frio de inverno com temperaturas abaixo de zero quando pisamos em solo africano, e, com o coração cheio de muitas expectativas passamos a conhecer a África rica, o celeiro africano, um país que já foi considerado cristão, e hoje vive debaixo de uma grande miséria espiritual. Ficamos chocados ao saber que 50% da população é aidética, e que morre por dia 1200 pessoas dessa terrível doença. Vimos pessoas cortando o cabelo e fazendo a barba na rua, por não poderem freqüentar salão, o que só é permitido se se apresentar um atestado médico comprovando que não possui a doença. Apesar das suas belezas naturais Johannesburg é uma capital violenta, e um grande campo missionário. Participei por três dias de uma conferência feminina, ministrando a palavra de Deus na anfitriã. Essa igreja é formada, em sua maioria, por irmãos imigrantes que vêm de outros países estudar ou trabalhar, na sua maioria jovens angolanos e moçambicanos que, longe da família, encontram aqui amparo e proteção. Foram dias maravilhosos, dias de grande avivamento espiritual, salvação de almas e batismo com o Espírito Santo. Aleluia! Foram dias maravilhosos, dias de grande avivamento espiritual, salvação de almas e batismo com o Espírito Santo. Aleluia! No dia 11 de julho deixamos a África do Sul, dentro de uma caminhonete, acompanhada do pastor e sua esposa irmã Rosa irmão Aumeri e irmã Fátima. Partimos em uma expedição absolutamente missionária em direção a Moçambique. Foram aproximadamente 22 horas dentro daquele automóvel, em constante oração para que pudéssemos passar as fronteiras. O primeiro desafio foi a fronteira do Zimbábue, mas depois de algumas negociações conseguimos passar. Agora, sim, começamos a enfrentar a realidade da África, bem diferente de tudo o que já ouvimos e vimos a respeito, pessoas à beira da estrada, em busca de ajuda, crianças indo para a escola descalças, usando uns trapos de roupa. Quando parávamos o carro ele logo era cercado por muitos africanos que pediam comida, uma realidade que dilacerava nossos corações. Recordo-me de um dos guardas da fronteira aproximar-se do carro com seu uniforme bonito, e um tanto envergonhado, pedir ao pastor um pouco de comida, pois ele tinha muito fome. Imaginem: se o funcionário do governo não tinha o que comer o que dizer da população? Era aterrorizante as cenas que sucediam a cada percurso que fazíamos. Zimbábue, um país que já fora próspero, exportou alimentos por muito tempo, hoje é marcado pela miséria, conseqüência das guerras. As horas que viajamos dentro desse país foram angustiantes, estradas difíceis, perigos constantes... lembro-me de um grupo de crianças gritando em volta do nosso carro: “azumbo,azumbo!” Quer dizer: “branco, branco!”, não como elogio, e sim como xingamento. Tínhamos que ter muita cautela, o Zimbábue é um pais difícil. Tentamos dormir em um hotel próximo à fronteira, mas nos cobraram cerca de 900 reais por pessoa, por uma cama num quarto coberto por palha. Não tínhamos dinheiro para isso, então continuamos a viagem. Cerca de oito horas da noite estávamos pedindo para sair do país, pois lá você paga para entrar e para sair. É inacreditável. Eles tentam nos saquear de qualquer forma, a tensão psicológica é muito grande cada vez que eles se aproximam do carro! Mas víamos os constantes cuidados de Deus em tudo! Aleluia! Vi o Senhor cegá-los, pois em cima da caminhonete levávamos todo o material de construção para construirmos um templo em Moçambique. E todas as vezes que o carro era revistado orávamos para que eles não vissem o material de construção. E o Senhor não deixou-os verem aquele material. Aleluia! Agora estamos entrando em Moçambique, e lá dormimos, em um hotel típico da África, com quartos cobertos de palha. No dia seguinte chegamos à cidade de Chimoio e fomos recebidos por nossos irmãos moçambicanos que estavam nos esperando havia dias. Eles dançavam e cantavam em volta do carro, era uma cena emocionante demais, muitas crianças, muitas mulheres, pois iríamos fazer uma festa para as mães daquele lugar; era a primeira conferência feminina. Montamos ao lado da pequena igreja o nosso acampamento, os irmãos não paravam de chegar, vinham de todas as partes, alguns andaram setenta quilômetros, outros duzentos e até oitocentos quilômetros! As mulheres com seus filhos amarrados em suas costas, na maioria doentes, a lepra, a tuberculose, aids, são doenças comuns daquela região. Muitos vieram de caminhão, outros de carroça, outros a pé, chegavam cantando e dançando sempre, é um povo alegre, sem motivos para isso. Mas, para eles, conhecerem a Jesus é a alegria maior. Perguntei a uma irmã africana que havia chegado de longe, seus pés sangravam, porque ele fizera tamanho sacrifício. E ela me respondera que onde ela mora ninguém sabe ler e ela caminhou dias para chegar aqui e ouvir alguém ler o Livro Sagrado. Chorei ao lembrar que aqui temos cultos para todas as idades e preferências, escolhemos até o pregador que queremos ouvir. Somos egoístas, pouco agradecidos. Esse povo caminha quilômetros, e na maioria doentes, mas vem em busca de ouvir a palavra de Deus. Vi um homem chegar amparado por alguém, era uma cena horrenda: ele estava em estado terminal de AIDS, e ficou ali, jogado no chão... viera em busca da cura, pois quando há culto nem os doentes ficam em casa. As cenas que decorriam diante de nós não há como descrevê-las com precisão. As irmãs começam a passar betume no chão onde vão dormir durante os dias da festa, sempre cantando com seus menores amarrados nas costas. Betumavam com as mãos e com muito sacrifício, mas estavam felizes por estar ali. Outras ficam em suas esteiras ao lado da igreja, nada impede esse povo de cultuar; as crianças choravam com fome e as mães cantavam, é inexplicável! Durante a conferência ministrávamos pela manhã, tarde e noite, e o povo queria sempre mais, povo faminto de Deus. Muitas vezes o mau cheiro não permitia que os cultos fossem dentro da igreja, então saímos para a rua, e Deus continuava a operar. Grande era a manifestação do Espírito Santo. Mulheres sendo libertas das bruxarias e recebendo o batismo com o Espírito Santo, mulheres sofridas, escravizadas, desprezadas, agora sentiam o verdadeiro amor de Deus. Os cultos foram marcados por milagres e maravilhas, e o povo cantava e dançava sem parar; sempre que eles estavam cantando algumas irmãs corriam dentro da igreja dando um grito especial, abanando com sua capulana (um pedaço de tecido): é um ritual de saudação ao Espírito Santo. E cada vez que elas se levantavam a glória de Deus se manifestava! A adoração dos irmãos africanos é única e inexplicável, um povo que não tem motivos para ser felizes e são. Durante os cinco dias que passamos em Chimoio nossas vidas foram marcadas de forma extraordinária por Deus. Todas as noites os cultos contavam com a participação de todos. Mulheres, homens e crianças, que cantavam e dançavam cerca de seis horas, muitos doentes e com fome, pois eles só comiam uma vez por dia, isso por que estávamos lá e tínhamos levado a massa do milho pilado, que é a alimentação deles junto com umas folhas de couve, somente. Mas eles cultuavam a Deus com tanta alegria e ninguém sai antes do término, pois são muitos reverentes. Vi dois irmãos chegarem de mãos dadas ao culto, suas roupas estavam brancas de poeira, e percebi que um era cego, e a história desses dois irmãos é impactante. Eles eram inimigos de guerra, um tentava matar o outro, um dia um deles aceitou a Jesus e propôs no seu coração que quando terminasse a guerra iria procurar o seu inimigo para falar-lhe de Jesus. E assim fez: ao terminar a guerra saiu em busca de seu inimigo, o qual estava cego quando foi encontrado! Uma mina que ele preparara para matá-lo havia cegado-o. O africano convertido pediu-lhe perdão e falou-lhe de Jesus! Ele O aceitou e também se converteu. Hoje, para a glória de Deus, o cego é o pastor de uma das igrejas de Moçambique, e quando ele precisa viajar para as reuniões e conferências é seu ex-inimigo de guerra que viaja oitocentos quilômetros para buscá-lo e, conduzindo-o pelas mãos, o guia com muito satisfação. Só Deus transforma inimigos de guerra em amigos verdadeiros, unidos pela causa do Mestre. Hoje o testemunho desses dois servos de Deus tem transformado muitas vidas. No último culto em Chimoio conseguimos, com a ajuda do Pr. Gomes, um projetor multimídia com energia de bateria. Projetamos o congresso dos Gideões para eles, colocamos a reunião da manhã missionária, com a participação dos Gideões Mirins, e algo emocionante aconteceu. Todos olhavam impactados, pois nunca viram uma igreja daquele tamanho, nunca viram tantos crentes reunidos, fugia da realidade deles. Com olhos arregalados olhavam para a tela, e não entendiam o que se falava, pois a maioria ali fala macena e não o português; mas quando os Gideões Mirins começaram o jogral eles começaram a chorar. Entendi que o Espírito Santo traduzia para eles. De repente, levanta-se um áfrico já idoso, com seu rosto sofrido, corre em direção ao pastor, joga-se de joelhos diante dele, beija a sua mão e diz: “papa, nóis num tá suzinho nesse África, nóis tem uma família nu Brasil, e nossa família é grande! Papa, nóis nun tá suzinho, num tá suzinho”. Levanta-se e, envolvido pelo Espírito Santo, começa a correr dentro da igreja e a gritar chorando, dizendo que eles não estavam sozinhos. Apontando para a tela eles diziam ter uma família no Brasil. A glória de Deus começou a se manifestar de forma maravilhosa e muitos foram batizados com o Espírito Santo. Aleluia! Chorei muito naquele momento. Jamais esquecerei a cena que decorria diante de mim. Eles pareciam querer entrar na tela que exibia o trabalho dos Gideões. Pareço ouvir nosso irmão africano dizendo que somos a família deles. Chimoi é uma cidade cheia de muçulmanos e muitos bruxos também, mas lá há um povo servindo a Jesus, um povo que espera a vinda de Jesus. Um povo que vi por apenas cinco dias, dormi no chão ao lado de uma fogueira, mas feliz porque estávamos com eles. O último culto foi marcado também pela presença do representante do governo, que veio entregar ao pastor o título definitivo da igreja. Fui chamada para fazer a oração de agradecimento e quando comecei a orar aquele homem começou a se retorcer todo, pois era um bruxo! Olhava-me com seus olhos vermelhos, como se me desafiasse. Continuei orando até que ele caiu sentado no banco! A manifestação satânica na África é visível e constante, em todo tempo estávamos sempre repreendendo em nome de Jesus. Nossa despedida de Chimoio foi com lágrimas, porém tínhamos que continuar, estávamos somente no início de nossa viagem. Agora seguimos em direção à província do Teti, distrito de Mutarara, vila do Charre, fronteira com Malawi. Era nosso próximo destino. Viajamos por aproximadamente dezesseis horas sem parar; conosco estava uma equipe de irmãos que construiriam um templo em Charre, os quais seguiam em cima de um caminhão, cheio de material de construção, homens e mulheres, tomados pela poeira da estrada, mas sempre cantando. Atravessamos o rio Zambezia, passamos por lugares perigosos, de caça pesada, conhecemos algumas cidades, como Gôndola, Enchope, Gorongoza, Morrumbala; passamos pela província de Manica, Sofala, Zambezia. Cada cidade e vila em que passávamos víamos uma imensa população vivendo miseravelmente. Muita seca, muita sede, muita fome. No percurso encontramos ainda marcas da guerra, casas e pontes destruídas por mísseis. Todas as vezes que o carro parava era cercado por uma multidão de crianças que nos pediam comida. Lembro-me de encontrar um menino com sua cabeça cheia de bichos, seus olhos amarelos e sua barriga muito inchada, parado à porta do carro. Ele me olhava profundamente, não suportei e comecei a chorar; era somente uma criança de oito anos de idade, mas condenada à morte, e eu nada podia fazer, nada! Ele me olhou por alguns minutos e eu pedi ao Senhor misericórdia, a minha dor era imensa, dor da incapacidade, desespero por nada poder fazer. Chorei e pedi a Deus que enviasse missionários para aquele lugar. As cenas ficavam cada vez mais aterrorizantes, pedia a Deus que me desse estrutura para continuar, a dor na minha alma era insuportável, foram horas de lágrimas . Chegamos à Vila do Charre e fomos recebidos por um grupo de crianças que gritavam e cantavam: eram aproximadamente trezentas crianças descalças, usando uns trapos sobre o corpo, uma cena indescritível. Tínhamos que conter as lágrimas. Recordo-me das palavras do pastor Gomes dirigidas a mim: “Aqui está tua congregação, tia Jô” (chorei naquele momento). Estávamos cansados, a pressão psicológica era muito forte, minha cabeça parecia que ia explodir. Descemos do carro e o pastor pediu que não abraçássemos as crianças, pois todas estavam muito doentes. Ele tinha muito cuidado conosco, fornecendo-nos repelente, inclusive, pois ali era região de muita malária. Irmã Rosa, sua esposa, foi logo preparando um fogo para esquentar uma conserva trazida da África do Sul, pois além de exausto estávamos com muita fome. Porém, como comer com trezentos pares de olhos famintos te olhando na escuridão da noite? Hora difícil, quando as lágrimas misturavam-se ao alimento; mas tínhamos que comer, pois eles são acostumados a não ter o que comer, e nós não! Foi uma noite difícil para todos. O caminhão que trazia os irmão e nossas barracas não conseguiu chegar e tivemos que dormir no carro, sentados. Naquela noite eu não tive forças para orar e me sentia fraca, muito fraca... foi uma noite agonizante. Os demônios vieram nos desafiar e passamos por terríveis guerras espirituais, contudo o Senhor nos deu forças para vencer! Ás cinco horas da manhã as crianças começaram a chegar novamente, e nada tínhamos para oferecer-lhes, já que o caminhão ainda não chegara. O momento era difícil, crianças chorando de fome, e muita miséria diante de nós; orávamos para que o caminhão chegasse, os irmãos estavam ansiosos para continuar a construção do templo que eles começaram havia quatro anos. O caminhão chegou, começamos a montar as barracas novamente e nossos sacos de dormir; ali ficaríamos por alguns dias. As irmãs preparam a massa de milho e servem um pratinho para cada criança. Elas estavam famintas, ajudei a alimentar algumas com meu próprio dedo, pois eles não usam colher. Ao sentir aqueles bebês desnutridos sugarem meus dedos com a força da fome chorei sentindo uma forte dor na minha alma. Depois de amenizar um pouco sua fome fomos para baixo de uma árvore e ministramos o primeiro culto para as crianças. Seus olhos pareciam nos tragar, era como se eles sugassem a nossa alma, inexplicável o que sentíamos naquele momento; cantei e contei uma história bíblica, agora eles começam a se familiarizar conosco. Logo percebi a dificuldade que teríamos, pois eles não falavam o português, poucas são as crianças que vão a escola e os dialetos são variados. Entrei na minha barraca e pedi ao Senhor sabedoria para evangelizá-los, pois eu estava quase em estado de choque, em profundo abalo emocional; achei que não ia suportar a saudade da família. Devido a realidade que estava diante de mim eu me sentia como uma pequena gota em meio a um oceano de necessidades. Chorei por horas dentro daquela barraca de plástico, num calor insuportável. Foi então que vivi uma linda experiência com Deus: Ele enviou um dos seus mensageiros para me consolar e através do Salmo 33.18,19 recebi um bálsamo, uma espécie de anestesia. Minhas forças foram renovadas, voltei a me alimentar, e usei todos os meios possíveis para falar de Jesus àquelas crianças tão sofridas, que nasceram simplesmente para morrer antes do tempo, e convivem com a morte naturalmente, crianças sem perspectivas, crianças doentes, com o olhar vazio, mas que logo aprenderam a cantar hinos de louvores a Deus e agora cantavam e dançavam com muita alegria. Lembro-me da pequena Maria, que dança tão alegremente, usando um vestido rasgado, com seus pezinhos no chão, contudo, nada a impedia. Recordo-me com saudades e lágrimas nos olhos dos momentos marcantes que vivi com eles, como quando às cinco horas da manhã eles cercavam a minha barraca e começavam a dizer: “tia Jô, escola!”, ou cantavam as músicas que havíamos ensinado, até eu abrir o zíper da barraca, então eles gritavam, pulavam e corriam para baixo da árvore para nos esperar. Todos os dias dávamos a eles um pouquinho de mingau da massa de milho, sem leite, e com pouco açúcar. Era tudo o que tínhamos, e eles ficavam satisfeitos. Recordo-me deles raspando a panela antes de lavarmos; era uma cena que nos fazia chorar. Vi muitas vezes Deus multiplicar aquele mingau, que eles chamavam de “mata bicha”. Enquanto evangelizávamos as crianças, orando por elas, tirando-as das maldições dos bruxos, os irmãos construíam o templo. Foram dias inesquecíveis! Os cultos com as crianças eram de manhã e de tarde, pois à noite não havia luz elétrica, o que dificultava nosso trabalho. Charre é uma vila próxima ao Malawi, com uma população muito carente; seus rios são cheios de caramujos, e a maioria das crianças sofrem de esquistossomose, urinam sangue até morrer. Aproximadamente 70% da população é aidética, há também muita malária, tuberculose e lepra. O número de pessoas que vinha em busca de remédio era muito grande, vi por várias vezes irmã Rosa entregar a eles um A.S., fazer uma oração e Jesus curava na hora. Ministrei em um culto onde o Senhor revelou a um pastor africano, Pr. Nassum, que eu deveria orar por um menino chamado Antonio, o qual veio à frente, e ao colocar as mãos nele fiquei pasmada, pois seu peito tremia, e fazia um barulho constante: era tuberculose! Havia um forte cheiro que saía dele, e estava pele e osso. Chamei meus companheiros de viagem e pedi para imporem as mãos também. Dr. Almeri ficou chocado. Com autoridade repreendemos em nome de Jesus o espírito de morte, e instantaneamente o tremor e o barulho cessaram, passou a respirar forte e não tinha mais dificuldades. O mal cheiro também se foi, e ali, nas nossas mãos sentimos o milagre de Deus. Fomos todos cheios do Espírito Santo, e o Senhor revelou-nos que devolvera a vida de Antonio, pois ele seria o futuro missionário do Charre. No outro dia estava Antonio com suas roupas rasgadas, carregando pedra para a construção da igreja. Aleluia! Deixar o Charre foi muito difícil para todos nós, nos apegamos demais às crianças, e elas a nós... mas precisávamos ir, a construção havia se concluído e logo após a inauguração entramos no carro e deixamos os irmãos no culto. Na saída lembro-me do pastor parar o carro e orar por um irmão que estava do lado de fora da igreja, morrendo de tuberculose. Recordo-me, também, de um outro momento muito difícil para mim, quando um dos meninos que evangelizamos, chamado Ruiz, veio se despedir de mim e perguntou-me: “Tia Jô, vai voltar pra tu Brasil?” E eu disse que sim. Então ele me disse: “Tu volta pra teu Brasil e Ruiz fica na África”. Eu disse a ele que voltaria pra vê-los um dia. Então ele me disse: “Quando tia Jô voltar Ruiz já morreu, mas Ruiz vai encontrar com tia Jô num lindo lugar que tia Jô ensinou”. Chorei abraçada no Ruiz, mas agradecia a Deus por me permitir mostrar a ele o lindo lugar. O carro começa a se afastar e as crianças correm atrás, pedindo para não irmos. A dor daquele momento foi forte demais, insuportável... trago gravado o grito das crianças, crianças estas que daqui a um ano, de trezentas passarão a ser 150, pois morrem em grandes números.Os pais já colocam nomes duplos nos filhos, pois sabem que um vai morrer e o outro manterá o nome. A maioria tem dezoito filhos, vinte, mas vivo soma-se menos da metade. No momento em que nos afastávamos eu clamava ao Senhor, em desespero, que enviassem missionários para lá, que amparassem aquele povo. E quero terminar esse artigo dizendo a você, querido leitor, que Gideões Missionários da Última Hora mantém missionários em Moçambique, mas que precisamos fazer mais por aquele continente, precisamos enviar mais missionários, e só faremos se você nos ajudar. Por favor, não leia essa artigo com emoção, e sim com compaixão! Eu voltei da África doente de malária, fiquei muito mal. Minhas pernas paralisaram-se, os médicos diziam que eu não iria suportar, mas meu Deus me deu vitória, e faria tudo de novo por meus irmãos africanos. Quando estava no hospital, em uma situação crítica, perguntei ao Senhor porque estava acontecendo aquilo comigo, e Ele me disse que era necessário sentir a dor deles, a fome deles, a necessidades deles, para que eu falasse da África com compaixão. Que o mesmo sentimento que domina meu coração agora possa dominar o seu também, e que você se compadeça pela África e faça algo por eles. Vamos deixar de ser egoístas e vamos ajudar esse povo sofrido, esquecido pelo homem, porém lembrado e amado por Deus. Vamos aprender a ser agradecidos como os nossos irmãos africanos, que não têm o que comer, nem o que vestir, moram em taperas, e são felizes. Deixo aqui meu relatório resumido dessa viagem missionária, pois é impossível relatar tudo o que vivi naqueles dias. Todavia faço-te um pedido em nome de Jesus: ore pela África, ajude-nos a fazer um pouco mais por aquele povo! Projeto África! Levando pão e água da vida aos famintos da terra! Pr. Ivandro Morim |