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| A Síndrome de Jonas |
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“Todo homem sem Deus é um campo missionário, todo homem com Deus é um missionário” Algumas biografias bíblicas e até contemporâneas exigem uma reavaliação desta forma ingênua de ver e definir a postura da igreja diante dos novos paradigmas e expectativas do homem hodierno. Classicamente, um homem de Deus é alguém cujo lema existencial é a construção do reino de Deus nos lugares habitados por classes de pessoas, onde o comportamento inspira repulsa e mexe com nosso senso de justiça pessoal. A síndrome de Jonas se instala quando o nacionalismo (militância pela supremacia de um povo) sufoca o imperativo categórico de amar e evangelizar aqueles que produziram nódoas inesquecíveis na causa do Mestre a quem defendemos. O comportamento do profeta Jonas registra a presença de um veneno produzido a base de sentimentos inflamáveis que afeta a relação aleijada e aleijante com a cultura dos povos: xenofobia espiritual é o nome antropológico do mal no interior de homens e mulheres que pouco a pouco vão perdendo o foco equilibrado, delegado divinamente para suas existências. Para onde estão fugindo agora aqueles que não conseguem amar com o amor divino, que não fazem acepção de culturas, ou de povos ou de pessoas? Jonas fugiu para Tarsis, terra dos fenícios, grande metrópole da antiguidade com possibilidades de iniciar uma nova fase de vida. Seria possível abandonar a chamada sem abandonar o Deus da chamada? Seria possível ao profeta ter acreditado na possibilidade de passar despercebido naquela nova civilização que seria o sepulcro do seu ministério? O envolvimento de anos em uma causa deixa traços esculpidos na fala, na postura e na própria face do indivíduo, que denunciam a nossa fuga vocacional e a infelicidade fica estampada nas linhas denunciantes do nosso rosto, dando aos transeuntes a liberdade para uma análise psicológica do nosso estado. A biografia de Jonas é um lembrete de que Deus nos caça como “objetos” do seu amor e alvos dos seus propósitos eternos, que fará com que Ele frustre as nossas férias vocacionais e nos reconduza ao centro da sua vontade, onde as nossas rebeldias não atrairão tempestades para a vida de pessoas inocentes que acidentalmente cruzam as nossas rotas de fuga.
Calebe Ibaldo Moreno
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