Veja como se começa um projeto de Deus, quando Ele está interessado em alcançar uma nação. No final dos anos 80 Deus fala com um simples operário da prefeitura de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, irmão Valdecir da Cunha, que orava na calada da noite... e a mensagem era: “Diga ao meu filho que não se esqueça da Bolívia, pois Eu amo aquela nação”. O irmão Valdecir não teve dúvidas de que deveria entregar...

Veja como se começa um projeto de Deus, quando Ele está interessado em alcançar uma nação.

No final dos anos 80 Deus fala com um simples operário da prefeitura de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, irmão Valdecir da Cunha, que orava na calada da noite... e a mensagem era: “Diga ao meu filho que não se esqueça da Bolívia, pois Eu amo aquela nação”.

O irmão Valdecir não teve dúvidas de que deveria entregar aquela mensagem a algum pastor. Mas a qual?

Foi aí que veio a seu coração o nome Cesino Bernardino, pois era o único que estava fazendo um trabalho missionário, mas ele olhou no relógio e era madrugada.

Mesmo assim não hesitou, pegou sua bicicleta e pedalou uns doze quilômetros até a casa pastoral, localizada no pátio do templo sede da igreja Assembléia de Deus em Camboriú, onde morava o Pr. Cesino Bernardino com sua família.

Valdecir, sem nenhuma dúvida quanto a sua missão, bate com força na janela do quarto onde dormia Pr. Cesino Bernardino, e grita: “Cesino! A Bolívia te espera, Cesino! A Bolívia te espera! Não tardes em atender o clamor daquele povo!”.

“Toda a família se levanta, pois os gritos eram intensos”, comenta Pr. Reuel Bernardino.

Pr. Cesino, sensibilizado e consciente de que era Deus que falava com ele, abraçou aquele irmão e orou por ele, agradecendo pela mensagem.

A partir dali nascia o Projeto Bolívia, que recebeu o slogan “Um grito na calada da noite”.

No mês de maio de 1990 é feita a despedida de um casal de estagiários, João Batista de Souza e sua esposa Tânia Regina, para a Bolívia, mais precisamente para Cochabamba, onde fundaram a igreja em Cochapilca, e posteriormente outros pontos de pregação: Quilla Collo, Vinto, Capinota e Quatro Esquinas.

E ali desenvolveram um trabalho de evangelismo durante longos anos, até o ano 2.000.

Novos missionários são enviados em 24 de novembro de 1999: Eliezer Feitosa de Moura e sua esposa Luciana, na cidade de Cochapilca, estado de Cochabamba.

Este veio a assumir o lugar do Missionário João Batista no dia 16 de janeiro de 2000. A igreja tinha aproximadamente trinta pessoas, entre membros e congregados, conquistados com muita garra e bravura, num trabalho marcado pelo pioneirismo, os quais congregavam-se em um pequeno salão de 4x9 metros.

As dificuldades eram muitas, o que impossibilitava a aquisição de aparelhos de som, instrumentos, etc... e não havia nenhum conforto para os poucos crentes que freqüentavam os cultos. Também havia pouca literatura para o ensino.

Naturalmente que com as dificuldades existentes poucas irmãs freqüentavam o círculo de oração, e os crentes tinham costumes que francamente deixavam os missionários espantados. Era normal, durante os cultos, eles cuspirem ou jogarem lixo no chão da igreja! Urinavam em qualquer lugar, e mascavam folhas de coca durante as reuniões.

Na realidade o povo boliviano tem esse costume até hoje. Não todos, é claro, mas a classe mais baixa, pois a folha da coca inibe o apetite e dá energia para trabalharem muito com pouca comida.

Então, o trabalho do missionário não era apenas pregar a palavra de Deus, mas também orientar pessoas a serem educadas, limpas. Muitos não têm o costume de tomar banho com a freqüência necessária, e pelos poucos dias que passei ali descobri que muitos nunca tomaram banho! Não pela falta de água, mas pelo simples fato de não terem esse costume, e há quem chame isso de cultura.

Faço questão que você confira com a missionária Luciana o que vou te dizer agora. Ela chegou a ensinar higiene pessoal às irmãs locais, ou seja, ficar nua no banheiro com um grupo de irmãs e orientá-las como tomar um bom banho! Incrível, mas é a pura verdade. Isso não é para qualquer um. Ensinar a lavar roupas, escovar os dentes e tantas outras coisas mais.

Para quem já foi à Bolívia, sabe que a higiene quase não existe, todos comem nas ruas, servem comidas em jornais, sacos plásticos, etc. Alguns teimam em dizer que isso é cultura, e, sendo assim, nossa missionária estava fazendo, mais que qualquer coisa, missões transculturais!

Um país de milhares de tradições, etnias, como preparar banquetes para os mortos, lavarem suas roupas e depois queimá-las, etc. Funerais que duram de 3 a 5 dias dependendo a região. Tomarem uma bebida alcoólica (chicha) feita de milho e fezes humanas. Por incrível que pareça não são apenas os pobres que tomam e praticam essas coisas.

Em um lugar como esse o missionário precisa de muita fé, mas principalmente ousadia. Ali o missionário realizou de partos a enterros, situações que vêm para averiguar se realmente existe chamada missionária.

Eliezer e esposa não apenas ensinam as pessoas a salvação da alma, mas também os cuidados do corpo, que é o templo do Espírito Santo. E existem muitos irmãos que são totalmente transformados pelo poder e ação do Espírito Santo. O povo tem uma vida feliz e diferente. Não existia trabalho de evangelismo com crianças: hoje, porém, temos mais de duzentas crianças que estão sendo discipuladas e alimentadas. O trabalho cresceu, e, à medida que os missionários trabalhavam, Deus operava milagres, houve muitas maravilhas, salvação de almas, batismo no Espírito Santo e muitas curas. Conforme o trabalho crescia, precisava-se uma administração jurídica. A missão que dava suporte até então não podia estar sempre à disposição da nossa igreja na Bolívia, e por esse motivo, vendo o crescimento do trabalho, era preciso ter a nossa atenção. Com o esforço e determinação do missionário Eliezer e dos Gideões Missionários logramos o sonho de sermos uma missão independente. E hoje a Assembléia de Deus missão GMUH não é só uma igreja, mas também uma fundação com visão filantrópica, juridicamente reconhecida pelas autoridades bolivianas.

Aumentava a paixão missionária dos missionários, um amor intenso pelas almas do povo boliviano. Os corações de Luciana e de seu esposo Eliezer batiam mais forte por aquele povo e eles não pensavam em outra coisa a não ser ganhá-lo para Cristo, embora pertencentes a uma cultura tão exótica. Nasciam muitos projetos: o primeiro deles era a salvação dos perdidos, depois construir uma casa de adoração ao Senhor, pois a obra já tinha quase dez anos e ainda estava em um salão alugado, mantido pelos Gideões Missionários. Eliezer fez, então, um grande desafio: apresentou uma visão de um grande terreno aos poucos membros.

É claro que a reação foi a esperada: ninguém se animou a entrar naquela visão devido a pobreza do povo; na realidade eles não tinham mesmo condições de ajudar com nada, e como todos sabem, até os dias atuais a Bolívia enfrenta uma grande crise financeira. Mas o missionário sonhava com aquilo, um terreno, uma igreja.

E nessas horas creio que a reação de todo missionário é a mesma, mais que nunca creu em Deus, e sem medir esforços começou uma campanha de oração com os irmãos.

Enquanto oravam Deus fazia sua parte e tocava não apenas nos corações do povo gideonita no Brasil, mas também em muitos irmãos dos Estados Unidos da América.

Pr. Cesino Bernardino começou a fazer uma campanha no Brasil e o Senhor abriu as portas nos Estados Unidos para que o missionário fosse testemunhar sobre a grande obra que estava em seu coração.

E como o nosso grande Deus segue sendo o mesmo Deus de realizações do passado, Ele deu condições financeiras não apenas para comprar um terreno de 2.500 metros quadrados, mas também condições para construir um grande templo de 15 metros de frente por 30 de fundos, salas de aula e uma cozinha completa para ajudar na alimentação de muitas e muitas pessoas famintas.

Foi construído um outro lindo templo em Samasa Alta, próximo a Cochabamba, e outro em Potosi, cidade localizada nos Alpes Bolivianos, como mostram as fotos que fiz para a edição da revista Vida Missionária, nosso portal na web e esse mais novo lançamento em DVD do projeto Bolívia.

São dezenas de pessoas que foram alcançadas com o Evangelho, graças à visão missionária que Deus revelou ao Pr. Cesino Bernardino.

Além dos sete missionários brasileiros (Eliezer, Luciana, Wilson, Maria, Janaína e um outro casal que está em viagem), sustentamos mais dois bolivianos que foram discipulados e treinados para pregarem a palavra.

Há um pequeno consultório médico para atender os mais carentes e uma padaria que fazem parte do projeto social.

A Bolívia é grande, com uma área de 1.098.581km2, e com uma população de 9.627.269 (censo de 2006). Existe muito campo para evangelizar, muitos missionários ainda serão enviados, principalmente aos lugares pobres que praticamente dominam o país.

Chegamos aonde outros não chegaram, estamos nos Alpes gelados, onde existe uma cultura milenar, onde ainda a alimentação básica é a batata e o leite de lhama e cabras. Estamos a exatos 4.890 metros de altitude, onde o ar é rarefeito, entre as fendas das montanhas, onde seres humanos nascem e morrem sem nunca ser registrados, onde uma doença que se cura com um pequeno comprimido mata dezenas.

A mais de catorze horas de viagem singrando os Andes perigosos chega-se onde está Francisco, nosso missionário inca que pastoreia uma pequena igreja onde ainda de fala o quéchua, um dialeto local. Como diz Pr. Cesino Bernardino ali estão os “rabiscos da Terra”.

Confesso que quase tive vontade de desistir a cada metro que subíamos, quando saímos de Cochabamba, que já está a mais de 2.700 metros de altitude, em direção a Potosi. Houve momentos que, enquanto os missionários que estavam conosco na viagem dormiam, eu lutava para respirar, sem conseguir dormir.

Cada passo que dava parecia que tinha caminhado quilômetros, carregava minhas duas câmeras, inseparáveis companheiras, com um esforço tremendo para poder regressar para casa, no Brasil, na base missionária em Camboriú, para falar e mostrar para o povo o que é “um grito na calada da noite”.

Ao lado dos amigos missionários que me ensinaram a ter mais fé, ficamos detidos mais de quatro dias nas mais altas montanhas geladas da América do Sul, porque os “mineiros do Diabo”, como são chamados ali os guerrilheiros, dinamitaram e mataram os que tentavam ultrapassar as barreiras entre um desfiladeiro.

Não posso negar que senti medo, muito medo, escondia minhas câmeras para não ser atacado e espancado, como fizeram com um jornalista canadense. Mas por debaixo de meu poncho fiz essas fotos e imagens com minha filmadora, e, com prazer apresento-as a todos com muito orgulho.

Com minhas mãos tremulas do frio consegui captar o desespero de um povo abandonado que vive nas montanhas e que nós os Gideões estamos amando.

Dormi em uma cabana no topo de uma montanha com meus amigos, chamada de “El ojo del Inca”, o olho do Inca, um vulcão adormecido que jorra água fervendo, presenciei um ritual que fazem aos mortos, masquei folha de coca para ser aceito no meio deles e comi gordura fervida com batatas queimadas do frio. Posso dizer a cada um dos senhores que nossas vidas são transformadas quando vivemos experiências como essas, nos tornamos mais sensíveis aos sentimentos e paixão dos missionários.

E a grande emoção foi na chegada ser recepcionado com beijos, muitos beijos, pelos Incas, cantar com eles, se alegrar com eles, e ver de boca aberta como adoram a Deus de uma forma impar, pura, verdadeira.

Nosso primeiro almoço depois de quatro dias foi uma comida muito especial. Chegamos próximo das onze horas e comemos ovos fritos com batatas secas, vários deles que haviam sido fritos na manhã bem sedo. Ovos que seriam a refeição daquele povo assim que terminasse o culto matinal de domingo.

Na realidade nem nos preocupávamos com nada daquilo, estávamos vivendo momentos especiais no meio de uma civilização milenar. Ali visitamos varias pessoas, casas de pedras, corações de carne, seres humanos que foram vistos pelos olhos de Deus, lavados pelo mesmo sangue que nos lavou.

Prefiro deixar as fotos e o DVD falarem mais alto, pois uma imagem vale mais do que todas essas palavras que escrevi.

Por tudo isso quero fazer o seguinte pedido: não os deixem sós, eles precisam de todos nós. Unam-se a nós: nós somos os Gideões Missionários da Última Hora.