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IEAD Camboriú
Viagem ao Uruguai, Argentina e Chile

Em uma viagem missionária liderada pelo Pr. Reuel Bernardino acompanhado de sua esposa Giane Bernardino e suas filhas. Era uma viagem missionária com destino à República Oriental do Uruguai, como eles gostam de ser nomeados.

Tinha tudo para ser uma viagem rápida, porém produtiva; na realidade seria para ver como andava o crescimento da igreja do Senhor naquele país, pois desde o grande apelo missionário que recebemos de um uruguaio, implorando que fôssemos ao Uruguai e os ajudassem, não havia ido mais ninguém para visitar a igreja.

Apenas para relembrar, há dois anos aproximadamente parte para atender o clamor Pr. Reuel Bernardino, Pr. Zélio Russi, Pr. Jorge Cardoso e eu Pr. Ivandro Morim. Lembro-me que quando chegamos ao Uruguai não havia nada, apenas um homem extremamente pobre e humilde que morava ora embaixo de uma árvore, ora em uma estação abandonada, com toda sua família. Creio que quase todos se lembram muito bem dessa história emocionante.

Bom! Essa nossa volta ao Uruguai seria para ver como estava o andamento do trabalho missionário, porque havíamos enviado um casal de missionários: Wellington e Kátia Silva. Claro que todos nós que estávamos a bordo da camionete estávamos ansiosos para chegar, mas não tínhamos nem noção de como encontraríamos o trabalho ali. Assim que cruzamos a fronteira e chegamos a Taquarembó, cidade onde abrimos o trabalho, encontramos o casal de missionários nos aguardando em sua entrada. Uma coisa quero deixar aqui registrado: quando o missionário recebe alguém com um sorriso enorme no rosto pode-se esperar, porque as notícias são das melhores! E foi exatamente isso que iríamos começar a ver. Rapidamente eles nos levaram a sua casa para lancharmos, pois havíamos viajado de carro mais de 1.500 km, e é claro que estávamos cansados.

Passamos quase que todo final de tarde conversando sobre o trabalho que ali estava sendo realizado, mas na realidade o que queríamos ver mesmo era o trabalho. Para nossa grande surpresa quando chegamos para participar do culto nos deparamos com uma igrejinha linda; era apenas um pequeno salão alugado em uma esquina, mas linda pelo fato de estar lotado, cheio de pessoas adorando a Deus. Isso emociona, estávamos vendo o fruto de um trabalho, na realidade não apenas da equipe GMUH, mas de todo o Brasil, e isso era motivo de estarmos realmente felizes. As pessoas reunidas ali naquela pequena, porém linda igreja, estavam radiantes porque era a primeira vez que brasileiros visitavam aquele bairro pobre de Taquarembó. Tudo estava perfeito, desde a operação divina, almas salvas, até o capricho dos missionários, igreja pintada e limpa, carpete, e as cadeiras, tudo adquirido através do apelo que Wellington fez pelo programa Voz Missionária.

Pr. Reuel e sua esposa pregaram a palavra de Deus e a manifestação do Espírito Santo se torna visível nas vidas dos irmãos recém-convertidos; foi realmente lindo. No dia seguinte quando nos preparávamos para voltar para casa, Pr. Reuel Bernardino resolve visitar alguns missionários na República Argentina. Partimos, então, em direção à Argentina, passamos a fronteira e fomos em direção à cidade de La Paz, onde está nosso missionário Lucivaldo Lima e sua esposa Nadir. Lembro-me que viajamos o dia inteiro para chegar até lá, e quando entramos na cidade a primeira coisa que procuramos foi a igreja, porque queríamos ainda participar do culto à noite. Encontramos Lucivaldo e tivemos tempo apenas para trocar de roupas e ir direto para o culto, que já havia começado.

Amados, estávamos sentindo que realmente Deus estava usando cada um dos missionários e que havia valido a pena cada centavo investido naquele país. A igreja em La Paz já existe há quase dezoito anos, estive visitando a mesma no início de sua construção e nunca mais voltado, tínhamos sempre notícias de que Deus estava abençoando muito o trabalho, mas uma coisa é ouvir falar e outra é ver com seus próprios olhos um grande trabalho realizado. Mais uma vez nos deparamos com uma linda e grande igreja completamente cheia de salvos adorando a Deus de uma forma maravilhosa. Fomos de surpresa, e sendo assim constatamos que realmente os que estavam presentes na igreja eram crentes e não convidados apenas para encherem os bancos.

Mais uma vez Pr. Reuel, Giane e eu pregamos e testemunhamos, e na ora do apelo os que estavam presentes e que ainda não eram convertidos aceitaram Jesus tocados com a mensagem pregada, além de toda igreja receber orações pelos enfermos. Assim que terminou o culto nos reunimos com o casal de missionários e passamos quase toda a noite ouvindo-os testemunharem de como Deus estava trabalhando naquela cidade. Felizes nos disseram que em menos de um ano de trabalho a igreja já havia crescido mais de 60%, e que para ele foi incrível ser enviado para aquele país. Lucivaldo é natural do estado do Amapá, sempre trabalhou nas selvas brasileiras, desbravando e até mesmo construindo pequenas igrejas. Comentava com lágrimas nos olhos que seu maior desafio foi o idioma e depois a cultura, mas que conseguiu superar e junto dos crentes que ali já havia realizar o grande trabalho que estávamos vendo.

No dia seguinte, bem cedo, partimos para a cidade de Santa Elena. Mais uma vez Pr. Reuel dirigiu quase que o dia todo, e quando faltavam uns 100 km fomos pegos por uma grande tempestade de granizo, tempestade como eu nunca havia visto em minha vida. Tivemos que parar o carro no acostamento e apertar os vidros com as mãos para não quebrarem-se. Não se enxergava um palmo à frente; parecia que o inimigo estava furioso com nossa viagem missionária. Assim que acalmou a tempestade partimos para Santa Elena, na casa dos missionários David e sua esposa Marly Teruel Samudio, que já é missionária dos GMUH a mais de vinte anos. Fomos recebidos com muita alegria, pois é raro um brasileiro visitar as igrejas em outros países, principalmente quando essas igrejas são pobres.

Era já quase noite, e Marly rapidamente fez uma comidinha brasileira para que juntos pudéssemos comer. Quero deixar apenas uma observação aqui: quando nós os brasileiros vamos visitar algum missionário brasileiro no exterior, a primeira coisa que ele faz é uma comida brasileira! Essa é a forma mais carinhosa que eles têm para nos receber. David, feliz com nossa visita, nos leva para conhecer a igreja, muito linda por sinal. Mostrou-nos também a emissora de rádio que conseguiram, e que é utilizada apenas para a pregação da palavra de Deus 24 horas por dia.

Pr. Reuel Bernardino me olha e faz um desafio: “Pr. Ivandro, se estamos aqui na Argentina porque não visitar nossos missionários na Patagônia, sinto que Deus quer que vamos até lá”. Eu rapidamente lhe respondi: “Pastor, é longe demais! São mais de 3.000 km!”. Na realidade era meu maior desejo ir até lá. Pr. Reuel Bernardino, convicto de seu sentimento, diz: “Nós vamos, eu sinto o mover de Deus, e Ele está no controle de tudo”. Na mesma tarde partimos em direção à Patagônia. Fizemos um mapa com caneta e fomos confiantes de que Deus estava conosco, mesmo sabendo que a viagem seria cansativa e até mesmo perigosa. Era já madrugada quando chegamos a Rosário, capital da província do Paraná; procuramos uma pousada para descansar, e logo que amanhecesse partiríamos para a longa viagem até a Patagônia Argentina.

Lembro-me que viajamos sem parar a manhã e a tarde inteira, e quando começou a escurecer paramos em uma pequena cidade para jantar e esticar um pouco as pernas; não foi muito tempo que ficamos ali. Notamos, quando saímos do carro, a temperatura muito baixa; depois de mais algumas horas de viagem chegamos a um grande painel sobre a rodovia, que dizia: A conquista do deserto. Já era tarde da noite e estávamos às portas de um deserto de mais de 200 km de reta! Aquele era o momento em precisávamos mais ainda sentir as mãos de Deus sobre nossas vidas, porque se desse algum problema no carro seria impossível qualquer tipo de ajuda. A cada trecho na rodovia do deserto havia placas com os dizeres: Se você dormir, você morre, e tantas outras nos avisando dos perigos do deserto. É claro que em uma reta tão longa a gente dorme, acorda, dorme novamente, mas graças a Deus Pr. Reuel Bernardino não vacilava e dirigia atentamente, desejando chegar o quanto antes.

Paramos em um pequeno posto de gasolina e isso era sinal de que havíamos passado todo o deserto sem nenhum problema, mas assim que descemos do carro percebemos que a temperatura estava quase abaixo de zero, e rapidamente voltamos para o veículo; após abastecer partimos agora em direção a Cipollette, província de Rio Negro, onde moram os missionários Luiz Carlos Buck e sua esposa Alenir Bernardino Buck, a primeira missionária dos GMUH, envida para a Argentina no início da década de 80.

Chegamos a Cipollette quase às duas horas da manhã e fomos direto para a casa dos missionários, mas não os encontramos porque haviam se mudado recentemente para outra casa, e eles não sabiam que estávamos chegando naquele dia. Assim que amanheceu o dia fomos até a igreja em busca deles, e foi aí então que, graças a Deus, tivemos uma grande comunhão no encontro que tivemos. Pr. Reuel Bernardino estava muito feliz porque era a primeira vez que ia até a Patagônia para visitar os missionários que já estavam ali havia muitos anos.

Confesso que passamos um dia muito agradável, conhecendo o trabalho que está sendo realizado ali. Louvamos a Deus pela vida do missionário Luiz Carlos Buck, pela sua coragem e determinação, pela sua fé nas promessas de Deus para sua vida. Visitamos a grande escola secundária que ele construiu, uma chácara enorme que é usada como centro de treinamento missionário e uma emissora de rádio FM que tem como prioridade a evangelização. Não podemos de forma nenhuma deixar de louvar a Deus pela vida dos missionários Luiz Carlos e Alenir, pela total dedicação à obra do Senhor naquele país, transformado agora em seu país.

Durante todo o dia nos envolvemos com o trabalho missionário, e logo à noite fomos até a igreja, que por sinal é a maior igreja da cidade, uma propriedade maravilhosa e grande no centro da cidade. Mas isso ainda não seria tudo: quando entramos o culto já havia começado e dentro da igreja havia mais de quinhentas pessoas adorando a Deus! Isso, sim, é a certeza de um trabalho realizado, é colheita de uma semeadura, a resposta às suas perguntas sobre onde está sendo investido a sua oferta missionária e o porquê de enviar e sustentar durante tantos anos missionários no campo! Pr. Reuel Bernardino dá todo o relatório de nossa viagem e me convida para ministrar a palavra de Deus. Não posso deixar de mencionar que fazia mais de quinze anos que orava a Deus por essa oportunidade tão linda. Louvo a Deus, porque grandes maravilhas Ele fez por nós.

Após o culto nos preparávamos para regressar ao Brasil quando o telefone toca e do outro lado o missionário Sergio Muños faz um apelo ao Pr. Reuel, rogando que vá até ao Chile visitá-lo. Foi algo surpreendente, não esperávamos aquilo, porém mais uma vez não hesitamos e assim que amanheceu o dia partimos em direção aos confins da terra. Lembro-me que as paisagens mudavam a cada minuto que prosseguíamos nossa viagem missionária; estávamos cruzando uma das mais belas paisagens da América do Sul, a lendária e enigmática Cordilheira dos Andes. Estávamos entrando nas terras geladas onde a paisagem é neve e as geleiras são eternas. Quando chegamos ao topo das cordilheiras, onde os caminhos são brancos e as árvores cobertas de neve, vimos a placa de boas-vindas aos confins da terra: estávamos entrando no Chile!

Pela primeira vez em minha vida pude confirmar: “o fim do mundo é lindo!”, uma viagem de descobrimento que não visa apenas a sua beleza exuberante, mas um novo mundo que esconde seres humanos perdidos e sem o evangelho de Cristo. Um lugar como esse nos permite enxergar com outros olhos o “Ide” de Jesus. Nossos corações batiam mais fortes a cada quilômetro rodado, não pelo fato de estarmos quase que dentro de uma paisagem surreal, e sim por vermos homens, mulheres e crianças vivendo nas encostas das montanhas geladas, estávamos entrando no mundo dos mapuches, os índios chilenos que vivem nos Andes.

Mas nosso destino era uma pequena cidade aos pés das montanhas, chamada Pucón, situada no sul do Chile, na região dos lagos e montanhas que abriga um dos mais perigosos vulcões em atividade, por nome de Villarica, com uma altura de 2.847 metros, uma cratera de duzentos metros de diâmetro e um lago de lava com temperatura média de 1.250ºC, soltando fumaça constantemente – ainda ativo, teve a sua última erupção em 1.984. Cidade que abriga moradores amedrontados, temendo que a qualquer momento Villarica exploda.

Era noite quando chegamos a Pucón, quase não dava para abrir as janelas do carro para apreciar a beleza da pequena cidade montanhesa, uma paisagem escondida atrás da fumaça que sai das casas, do fogo que aquecia seus moradores por causa do frio que castiga. Paramos em um posto de combustível e tentamos perguntar por Sergio Muños, nosso missionário. Foi aí que descobri que é muito fácil encontrar os missionários quando fazem um belo trabalho. Rapidamente conseguimos informações sobre ele, quase todos o conheciam, ele sempre estava no hospital e nas ruas evangelizando e fazendo visitas para alguém. Chegamos a um bairro muito escuro retirado do centro da cidade e encontramos uma pequena casa de madeira. Quando chamamos sai Sergio Muños com um sorriso que cobria todo seu rosto vermelho, queimado do frio, e nos puxa para dentro de sua pequena casa que ele mesmo construiu, para nos abrigar do frio que era intenso. Quando já estávamos dentro da casa sentimos um forte cheiro de comida, era um caldo forte e quente de frango que a missionária fez para que pudéssemos esquentar. Eram tantas histórias que Sergio nos contava, tantas lágrimas que rolavam de seus olhos apertados, passamos uma boa parte da noite ouvindo experiências que, com certeza, marcariam nossas vidas. Exaustos, fomos dormir cheios de pensamentos de como seria nossa estadia em Pucón. Caros leitores, quando amanheceu e eu fui até a janela, fiquei quase congelado com a paisagem que estava diante de meus olhos, meu coração disparou ao ver tanta beleza. Pr. Reuel e toda sua família se levantaram logo cedo, também; não podíamos perder tempo, tínhamos um dia cheio.

Fomos à pequena igreja de madeira que Sergio, sua esposa e filhos construíram para cultuarem a Deus, parecia que o dia fugia, que uma hora era poucos minutos. Incessantemente Sergio não para de falar no Pr. Cesino Bernardino e agradecer pela confiança, amor e carinho que tinha por ele; víamos ali um homem agradecido e muito feliz, desenvolvendo um grande trabalho no meio dos mapuches entre as geleiras nas Cordilheiras dos Andes. Construindo igrejas nas montanhas com cascas de árvores, cobrindo com galhos de pinheiros e alguns arbustos. Carregava de comida, vez por outra, uma camioneta emprestada, e subindo as montanhas doava tudo aos índios famintos por causa da escassez de caça. Uma coisa é muito certa, estar ali por dois ou três dias e voltar para casa é tudo muito lindo, mas viver para sempre em prol daquele povo é uma grande renúncia.

Esses foram os homens e mulheres que encontramos em nossa viagem missionária, uma viagem banhada de emoção e experiências que jamais sairão de nossas mentes. Dois dias depois de tanta emoção voltamos rumo ao Brasil, tínhamos muitos quilômetros para enfrentar em nossa volta. Depois de cruzar mais uma vez as cordilheiras, entrar na Argentina e cruzá-la literalmente de sul a norte, chegávamos próximo à fronteira do Brasil. Pr. Cesino Bernardino telefona e nos pede que visitemos o missionário Gustavo Benites, que mora na cidade de Paso de los Libres, cidade que faz fronteira com Uruguaiana, no Brasil. Fomos direto ao Brasil, para dormir em Uruguaiana, já muito tarde da noite e estávamos exaustos, afinal, já tínhamos percorrido quase oito mil quilômetros. Mas, como toda ordem deve ser seguida, principalmente quando se trata de atender os missionários, fomos ao encontro de Gustavo e sua família já na primeira hora da manhã para passar o dia com eles e conferir se realmente o trabalho havia sido na fronteira e se a casa missionária que abrigaria os missionários já estava pronta. Quando se trata de crentes, tudo pode acontecer: mais uma vez nos surpreendemos pelo grande trabalho que está sendo realizado a apenas um ano do missionário ali na fronteira. Ele conseguiu alugar um galpão abandonado, reformou-o completamente, fez um apelo no programa Voz Missionária e conseguiu comprar instrumentos musicais, equipamentos de som e está congregando um grande número de crentes. A casa missionária está pronta para receber os missionários que cruzarão aquela fronteira para pregar o evangelho, e saímos com a certeza de um grande trabalho realizado nesses três países da América do Sul.

Até a nossa chegada em Camboriú, onde está localizada a nossa base missionária, foram rodados mais de 9.000 km, mas cada um deles cheios de novas experiências para continuarmos contando para vocês leitores, para que possam guardá-las no mais íntimo de vossos corações.

Pr. Ivandro Morim
Repórter e Marketing GMUH
ivandromorim@hotmail.com

 
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