John: A Missão que Abraçamos

Em meio ao cenário de conflito e insegurança que atinge Mianmar, uma ação dos Gideões Missionários da Última Hora e de seus fiéis mantenedores tornou-se fundamental para ajudar a proteger a vida de um dos jovens que um dia encontrou abrigo e cuidado em nossa missão. Seu nome é John. Ele viveu conosco entre 2017 e 2021; chegou ainda jovem em busca de proteção. Hoje, aos 18 anos, encontra-se novamente diante de uma realidade de medo e incerteza. Vivendo em Yangon, ele enfrenta os riscos que atingem muitos jovens de sua idade em meio ao conflito no país e ao temor do recrutamento militar compulsório. Um dos grandes obstáculos era a falta de seu cartão nacional de identificação, documento indispensável para regularizar sua situação e ampliar suas possibilidades de deslocamento e proteção.
A situação de John é ainda mais delicada porque sua aldeia foi atingida por bombardeios. Ele conseguiu escapar antes de chegar à missão e, atualmente, encontra-se praticamente sozinho. O medo tornou-se parte de sua rotina, e ele raramente sai de casa, exceto para participar dos cultos.
Diante dessa necessidade, Gideões Missionários não permaneceram indiferentes. A ajuda chegou no momento em que John mais precisava, tornando possível dar os primeiros passos para a regularização de sua documentação e para a busca de um caminho mais seguro para sua vida.

Neste momento, se percebe que as contribuições de nossos fiéis mantenedores que sustentam a obra missionária representam muito mais do que um recurso financeiro; representam cuidado, proteção, esperança e a oportunidade de um jovem ter sua vida preservada diante de uma realidade marcada pelo conflito.

Essa é a missão que os Gideões abraçam: estar presente onde existe necessidade, alcançar vidas e agir enquanto ainda há tempo. John precisava de ajuda. Gideões e seus mantenedores responderam ao seu chamado.

Uma perda que marcou nossa missão

“Enquanto nos mobilizávamos para ajudar John a regularizar sua documentação e encontrar um caminho seguro, recebemos uma notícia que abalou profundamente toda a nossa missão.

Na noite de 04 de junho deste ano, fomos informados de que James Har, um dos jovens de quem cuidamos entre 2017 e 2021, havia morrido em um confronto com as forças armadas. James não era apenas mais um jovem que passou pela missão. Ele cresceu conosco. Nós o vimos brincar, aprender, amadurecer e crescer na fé. Foi entre nós que ele conheceu o Evangelho, entregou sua vida a Jesus e foi batizado. Sua história ficou marcada em nossos corações.

Na noite anterior à notícia, ainda estávamos orando por ele. Por volta das 21 horas, chegou a confirmação de sua morte. A dor tomou conta de nossa casa. Minha esposa passou a noite inteira chorando. Há perdas que as palavras não conseguem explicar.

A morte de James nos fez compreender, de maneira ainda mais dolorosa, a urgência de tudo aquilo que estamos fazendo por John e por tantos outros jovens que vivem em meio ao conflito. Não estamos falando apenas de números, documentos ou recursos; estamos falando de vidas, de pessoas que conhecemos, amamos e acompanhamos.

Por isso, a ajuda que Gideões Missionários da Última Hora tem nos oferecido, tem um significado ainda maior. Cada contribuição permite que a missão esteja presente em momentos decisivos, oferecendo cuidado, proteção, assistência e, acima de tudo, levando a esperança do Evangelho.

Diante de uma realidade em que não sabemos o que poderá acontecer amanhã, seguimos fazendo o que está ao nosso alcance hoje. A saudade de James permanecerá, mas também permanece a esperança que encontramos em Cristo: cremos que a morte não é o fim e que, pela fé, um dia nos reencontraremos.

Enquanto houver vidas precisando de ajuda, a missão continuará avançando em Mianmar”.

Miss. Peter

Miss. Peter batizando o jovem John
Jovem John, que serve a Deus no abrigo
John é o jovem que foi recebido novamente no abrigo, depois que sua aldeia foi destruída no bombardeio
John quando foi recebido no abrigo
John atualmente cultuando a Deus
James Har, um jovem alegre, enquanto morava no abrigo
James, na idade que foi morto no confronto com as forças armadas