Milhares de pessoas gritam “Santo, Santo, Santo”. Entre estas muitos choram, outros glorificam, apertados no pouco espaço para se mexer, dentro de um pavilhão e de um ginásio municipal, onde há mais de 36 anos é palco do maior movimento missionário do mundo e o mais conhecido do Brasil.

Homens, mulheres e crianças se programam o ano inteiro para sentirem a presença do Senhor na pequena cidade de Camboriú. Acomodam-se em hotéis, casas, barracas e até mesmo dentro de ônibus e automóveis. Durante 10 dias, este é o cenário, um lugar pequeno, desconhecido, de povo simpático, alegre, receptível ao povo de Deus.

Tudo começou com uma promessa, e promessas acontecem quando há espera. O ano era 1979, um tal de Pr. Cesino Bernardino, pastor da igreja Evangélica Assembleia de Deus, chegava acompanhado de sua família para começar um trabalho de reestruturação na igreja, que, no momento, encontrava-se em grande crise.

Ao passar dos anos os problemas foram resolvidos, e o Espírito de Deus começou a operar prodígios e maravilhas entre aqueles que Lhe davam liberdade. Certa vez, em uma reunião de oração, Deus usou alguém dizendo que a cidade, ainda com ruas de barro, pouca população, um número pequeno de igrejas, muitos desafios, sem nenhuma infraestrutura, seria conhecida em todo o mundo, e assim aconteceu, escolhida como cabeça, e não como cauda.

Com o departamento de missões organizado, era necessário enviar o primeiro missionário. Durante as pregações, o Espírito Santo incomodava uma jovem estudante, filha da cidade, membro da igreja, que aceitou o desafio e foi enviada à República da Argentina. Para ela, um país desconhecido, o idioma, só conhecia por ter ouvido os turistas que visitavam nossa cidade vizinha.

Começava, desde então, o trabalho evangelístico que mudaria a visão de milhares de pessoas. Pr. Cesino Bernardino, presidente dos Gideões Missionários da Última Hora, acompanhado de uma equipe, dispostos, almejavam alcançar o número de 300 contribuintes, mas o Senhor o surpreendia diariamente.

Um exército, prometido por Deus, de homens e mulheres, começou a se alistar, como verdadeiros soldados, que prontos para a guerra, se desvencilhavam de seus objetivos para defender os interesses do Evangelho.

E esse Evangelho começava a ser pregado, almas eram salvas, experiências espirituais aconteciam, e os missionários aos poucos começaram a ser enviados para todos os lados existentes no Brasil e exterior.

Não importava o lugar, havia um objetivo, uma meta, e em cada coração a expectativa de continuar. Pelas ondas do rádio, em fazendas, grandes cidades, vilarejos e cidadelas era possível conhecer o programa A Voz Missionária, que tinha como comunicadores presbítero Cesar Furtado, Neide Nunes Furtado e pastor Cesino Bernardino. Ecoavam aos corações dos ouvintes uma mensagem empolgante, que refletia o desejo dos comunicadores de transformar o mundo mediante a pregação do evangelho.

Hoje, em proporção redobrada, os Gideões Missionários estão em mais de quarenta países, alguns tão longe que nem mesmo a promessa de “todo o mundo” dita pelo Senhor a muitos anos parecia poder alcançar. Divididos entre estes países, mais de mil famílias missionárias levam o Evangelho de Cristo, em um só idioma, que diz: Jesus Cristo Salva!

Os Gideões Missionários da Última Hora nasceram no final da década de 70, com uma nova visão que Deus deu ao pastor Cesino Bernardino, que recém chegava e assumia a igreja em Camboriú, SC, e a encontrara dividida, vivendo uma crise espiritual, porém, dentro dela um departamento missionário por meio do qual Deus começaria a realizar uma grande obra no Brasil e no exterior.

Não teve outra alternativa senão começar uma grande campanha de oração para que Deus lhe mostrasse uma saída. Era exatamente isso que estava faltando para que houvesse nela uma manifestação divina.

Várias casas, tanto no centro da cidade como no interior, se transformaram em casas de orações, assim como existem até nos dias atuais. E, em uma dessas casas, no bairro hoje denominado Dom Amaro, onde morava o presbítero Agenor Borba, que hoje dorme no Senhor, Deus, pela primeira vez, fala sobre o grande avivamento que derramaria sobre os crentes. A primeira manifestação divina foi falar, através de profecia, que Deus escolhia a pequena cidade de Camboriú como cabeça e não calda.

Ninguém entendeu o que aquilo queria dizer, mas Deus continuava se manifestando de forma visível, batizando dezenas de crentes no Espírito Santo. À medida que as orações ficavam mais fervorosas, Deus se revelava mais ainda, falando ao pastor Cesino que Camboriú seria uma cidade conhecida mundialmente, pois uma grande obra seria realizada na cidade. Logo os comentários do reavivamento começavam a correr pelas cidades vizinhas, depois em outros estados brasileiros. Pastor Cesino, convicto de que era Deus trabalhando, reúne uma equipe de diáconos e presbíteros para que visitassem as congregações e ministrassem sobre o batismo no Espírito Santo. Em cada congregação visitada o número de batizados crescia milagrosamente, a ponto de esta equipe começar a ser convidada a viajar o Brasil espalhando esse fogo ardente aos corações.

Estava nascendo um verdadeiro reavivamento que inflamaria todo o país. Conforme os dias se passavam, Deus começava a falar de uma forma mais explícita que a obra que realizaria seria uma obra de reavivamento espiritual e salvação de almas, ou seja, Deus estava começando a fazer de Camboriú um celeiro de profetas, de homens e mulheres que pregariam em todo o mundo o Evangelho. Os membros dessa equipe de avivamento começaram a ter visões espirituais e, uma que marcamos, quase todos que vivemos aqui e conhecemos toda a história, foi a do irmão Euclides Bernardi, hoje um de nossos pastores, que então viu uma grande mão jogando sementes de trigo por todo o mundo, vindo essas sementes aflorescer.

Cada dia que passava Deus falava que Camboriú seria levantada como cabeça, mas os projetos divinos eram tão grandes que eram difíceis de entender. Como uma cidade tão pequena e pacata seria conhecida em todo o mundo?

No início da década de 80 pastor Cesino sente de realizar um congresso, um pequeno evento para os membros da igreja de Camboriú, e falar sobre tudo o que estava acontecendo nas orações e que tudo aquilo deveria ser transformado em uma visão missionária, que ele estava começando a entender que Deus queria que ele unisse a igreja para encontrar uma pessoa para ser um missionário.

Acontece então no início da década de 80 o 1º Encontro de Missões, na igreja sede. Nesse mesmo encontro uma jovem estudante, cheia do Espírito Santo, rende-se ao Senhor e entrega-se para ser a primeira missionária! Pastor Cesino a envia, então, para a República Argentina, e depois dela outros e outros. As orações eram mais constantes nas casas e o número de crentes que as frequentavam crescia a cada dia. Em uma dessas orações mais uma vez Deus fala ao pastor Cesino: “Meu filho, amplie as fronteiras, mas não te esqueças do Amazonas”.

Antes mesmo de se descortinar a evangelização missionária no Amazonas, Deus dá uma visão ao hoje pastor Amauri Geraldo, de uma viagem a bordo de um pequeno barco nos grandes rios amazonenses. Ele conta aquilo em uma das reuniões de oração e pastor Cesino decide então fazer sua primeira viagem ao Amazonas.

A cada mês de abril acontece em Camboriú o maior evento missionário do mundo, que tem como única visão conscientizar e unir o Brasil para evangelizar o mundo.