Uma Obra que Avança em Meio aos Desafios da Amazônia

A paz do Senhor a todos os irmãos, igrejas e mantenedores que fazem parte desta obra!
É com o coração cheio de gratidão a Deus que compartilhamos um pouco do que o Senhor tem realizado em nosso campo missionário, na Vila de Novo Céu, no município de Autazes, no interior do Amazonas. Aqui, em meio aos rios, às florestas e às comunidades mais distantes, temos experimentado diariamente que o chamado de Deus exige renúncia, perseverança e, acima de tudo, confiança naquele que nos enviou.
Há mais de 21 anos estamos dedicados à obra missionária, sendo os últimos 13 anos nesta região, ao lado de minha esposa, missionária Sandra, e de nossos filhos, Carlos Uriel e Hadassah. Neste ano, recebemos também o reforço dos missionários Roney e Alex, adotados pelos Gideões para auxiliar no trabalho. Juntos, seguimos com o propósito de fazer o nome de Jesus conhecido onde ainda existem tantas vidas precisando ouvir o Evangelho.
Nossa caminhada já passou pela Comunidade Pernambuco, em Ipixuna; pela Ilha do Januário, em Itacoatiara; pelo Lago Preto do Anveres, na BR-319; até chegarmos à Vila de Novo Céu. Ao longo desses anos, pela graça de Deus, participamos da construção de 12 templos, de quatro casas pastorais e da reforma e ampliação de outros quatro templos. Mas nenhuma construção se compara ao privilégio de ver uma vida restaurada e uma família transformada pelo poder de Cristo.
Quando chegamos a Novo Céu, encontramos uma obra fragilizada, marcada por dificuldades, escândalos e pela perda do pastor que anteriormente cuidava do campo. Havia três congregações e o templo central ainda em construção. Além de dar continuidade ao trabalho, era necessário restaurar a confiança, fortalecer a igreja e reacender a esperança. Com a ajuda de Deus, concluímos o templo central e a casa pastoral, e as congregações Peniel, no Lago do Iauassú, e Monte Sinai, no rio Apipica, tornaram-se campos independentes. O que parecia um cenário de grandes dificuldades começou a se transformar em uma nova etapa de crescimento missionário.

UM EVANGELHO QUE ATRAVESSA RIOS E CHEGA ONDE ANTES NÃO ERA PERMITIDO

Um dos maiores desafios foi alcançar as comunidades indígenas. Durante muito tempo, a entrada da obra missionária nas aldeias enfrentou resistência, barreiras culturais e religiosas e dificuldades de relacionamento. Porém, não desistimos. Foram muitas orações, aproximações e atitudes de respeito até que, pouco a pouco, Deus abriu portas que antes pareciam fechadas.
Hoje, para a glória do Senhor, o trabalho alcança cinco aldeias indígenas e outras comunidades da região, entre elas Morganho, Murutinga, Patauá, Veneza, Terra Preta, Marauá e Tawari, localizada na região do km 08 da estrada do Novo Céu. Também tivemos a alegria de construir e inaugurar templos em Morganho, Murutinga e Marauá.

Cada construção representa  mais uma porta que pode ser aberta, pois aproveitamos as madeiras das congregações construídas de alvenaria e as enviamos para construir uma nova congregação na aldeia onde o trabalho se iniciou. A exemplo, a antiga igreja da aldeia Veneza, nós a construímos com as madeiras da congregação da aldeia Murutinga, quando lá foi construída de alvenaria. Agora na Aldeia Nova Veneza, já foi construída uma igreja de alvenaria para glória de Deus!

Cada porta aberta representa uma conquista que vai muito além de chegar a um novo lugar. Significa encontrar famílias, anunciar esperança, alcançar crianças e jovens e apresentar a mensagem de salvação a pessoas que, durante muito tempo, tiveram pouco acesso ao Evangelho. É uma alegria imensa perceber que lugares antes inacessíveis agora recebem a Palavra de Deus.

VIDAS TRANSFORMADAS: O MAIOR FRUTO DA MISSÃO

Nossa maior alegria não está nas construções, mas nas vidas que Jesus tem alcançado. Somente em 2026, já registramos 30 decisões por Cristo, 40 reconciliações e 17 batismos nas águas. Por trás de cada número existe uma história, uma família e uma oportunidade de recomeço.
Um testemunho que marcou nossa caminhada foi o de um homem que vivia envolvido com o consumo e o comércio de drogas e já havia passado diversas vezes pela prisão. Aos olhos humanos, sua história parecia sem perspectiva. Mas ele teve um encontro com Jesus! Abandonou a antiga vida, entregou-se ao Senhor, foi batizado e hoje está servindo a Deus.
É por testemunhos como esse que continuamos. Ver alguém deixar para trás uma história de destruição e encontrar uma nova vida em Cristo renova nossas forças e confirma que vale a pena enfrentar qualquer dificuldade para anunciar o Evangelho.

Nosso maior patrimônio missionário não são os templos que construímos, mas as vidas que, pela graça de Deus, estão sendo alcançadas e transformadas pelo Evangelho!

OS DESAFIOS DE FAZER MISSÕES NA AMAZÔNIA

Quem conhece a Amazônia sabe que sua beleza esconde uma realidade difícil para quem vive nas comunidades mais distantes. Grande parte do nosso trabalho depende dos rios e de pequenas embarcações. Quando chega a seca, as águas baixam, os caminhos ficam mais difíceis e algumas viagens se tornam perigosas. À noite, precisamos redobrar os cuidados com a presença de jacarés próximos às canoas. Além dos riscos, o combustível representa uma despesa constante, pois são muitos os pontos que precisam de visitas e acompanhamento pastoral.

“A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros. Rogai, pois, ao Senhor da seara que envie ceifeiros para a sua seara.” Mateus 9:37-38 (ACF)

A realidade das famílias também nos preocupa. Muitas sobrevivem de benefícios sociais, têm poucas oportunidades de trabalho e contam com atendimento de saúde bastante limitado, muitas vezes restrito a um posto de primeiros socorros. Enfrentamos ainda problemas sociais que atingem profundamente as comunidades, como alcoolismo, drogas, gravidez na adolescência e situações de abuso infantil. Nos últimos períodos, a seca intensa e as queimadas também agravaram as dificuldades da população.

Nos desafios espirituais, encontramos uma região com profundas raízes na tradição católica e, especialmente nas aldeias, práticas místicas e crenças tradicionais que tornam o trabalho de evangelização ainda mais desafiador. Porém, não temos desistido. Com amor, respeito e perseverança, continuamos anunciando que Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida.

Diante dessa realidade, entendemos que nossa missão não pode se limitar à pregação dentro dos templos. É preciso estar presente, visitar, ouvir, acolher e ajudar. Dentro de nossas possibilidades, temos procurado socorrer famílias necessitadas, inclusive com a distribuição de cestas básicas. Afinal, anunciar o amor de Cristo também significa demonstrá-lo por meio de atitudes concretas.

AINDA HÁ MUITO A FAZER: A OBRA PRECISA CONTINUAR

Apesar de tudo o que Deus já nos permitiu realizar, sabemos que ainda existem muitas comunidades esperando pelo Evangelho. Atualmente, estamos trabalhando na construção de quatro congregações: nas aldeias Tawari, Patauá, Veneza e Terra Preta. Também temos o desejo de iniciar um novo ponto de pregação na Comunidade Santa Quitéria.
Um dos nossos maiores desafios é a falta de obreiros preparados e disponíveis para assumir e dar continuidade aos novos trabalhos. Não queremos apenas abrir congregações, mas estabelecer igrejas firmes, cuidar das pessoas e preparar trabalhadores que possam permanecer e dar sequência à missão.
Para isso, precisamos de mais obreiros, recursos para combustível, materiais de construção e condições para continuar chegando às comunidades mais distantes.

A obra é grande, os desafios são muitos, mas o Deus que nos chamou continua sendo o mesmo!

NOSSA GRATIDÃO A QUEM FAZ PARTE DESTA MISSÃO

Ao olhar para trás, desde os primeiros trabalhos até estes 13 anos em Novo Céu, reconhecemos que não chegamos até aqui por nossas próprias forças. Foram viagens difíceis, renúncias, limitações financeiras e momentos em que só nos restava confiar na providência de Deus. Mas também foram muitos os templos inaugurados, as congregações estabelecidas, as famílias alcançadas e as vidas transformadas.
Por isso, nossa gratidão aos Gideões Missionários da Última Hora e a cada mantenedor que participa desta obra por meio de suas orações e contribuições. Talvez muitos nunca tenham percorrido os rios que navegamos ou conhecido as comunidades onde trabalhamos, mas fazem parte de cada conquista. Suas ofertas ajudam a manter os missionários no campo, levar assistência às famílias, construir templos e anunciar a salvação onde os recursos são tão limitados.
Pedimos que continuem orando por nós e por este campo missionário. Precisamos de sustento, trabalhadores e condições para avançar. Cada contribuição é uma forma de participar de uma missão cujo propósito é alcançar vidas para a eternidade.
Depois de tantos anos, nossa convicção permanece firme: a Amazônia precisa ouvir o Evangelho!

Não estamos pedindo apenas ajuda para construir templos. Estamos convidando você a participar de uma missão que tem como objetivo alcançar vidas para a eternidade.

“Os rios podem baixar, os caminhos podem ficar difíceis, as distâncias podem parecer enormes e os recursos podem ser limitados, mas o Evangelho não pode parar!”

Enquanto houver uma comunidade sem ouvir a Palavra, uma família precisando de esperança e uma vida que ainda não conheceu Jesus, continuaremos avançando, confiantes de que o Deus que nos chamou também nos sustentará. Muito obrigado por fazerem parte desta obra!

Missionário Pr. Russicarlos e Miss. Sandra
Vila de Novo Céu – Autazes/AM

Pr. Russicarlos e Pastora Sandra cortando os rios rumo ao campo missionário!

Início da implantação da congregação na Aldeia Patauá

Início da congregação 

Congregação na Aldeia Patauá atualmente
Aldeia Patauá em construção Novo Céu Autazes
Culto no lar na aldeia
1º batismo Batismo do ano em Muritinga Autazes AM

 

Uma nova criatura, um filho resgatado e liberto da marginalização
Batismo em Muritinga Autazes AM
2° Batismo na aldeia Veneza Autazes AM
Batismo em Muritinga Autazes AM
2° Batismo na Aldeia Veneza Autazes AM
3º Batismo em Vila do Céu Autazes AM  
Congregação da Aldeia Veneza Autazes AM
Reunião dos nossos jovens
Congregação da comunidade Marauá
Antiga congregação na Aldeia Veneza quando ainda era de madeira

 

Culto das crianças na antiga congregação de madeira.
Congregação da Aldeia Veneza atualmente já construída com alvenaria para glória de Deus!